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Burla CTT por SMS: como reconhecer uma mensagem falsa

10 min de leitura

Um SMS ou e-mail a dizer que a tua encomenda está suspensa, que falta pagar uma pequena taxa ou corrigir a morada, com um link para resolver, é quase sempre uma burla. Não toques em nada: abre tu o site ou a app da transportadora e segue a encomenda com o número de seguimento que vem no e-mail de envio da loja. Se já introduziste os dados do cartão, liga imediatamente ao teu banco, para o número que está no verso do cartão ou na app do banco.

Como saber se uma mensagem dos CTT é burla?

Uma mensagem falsa costuma juntar vários destes sinais:

  • Não estás à espera de nada. Sem compra feita e sem ninguém que te mande uma encomenda, uma mensagem sobre «a tua encomenda» já é suspeita.
  • Pede dinheiro para entregar. Uma «taxa de entrega», portes por pagar, um pequeno valor para libertar a encomenda. A DPD lembra que não envia e-mails nem SMS a pedir portes ou um valor para alterar uma encomenda, e a InPost diz que nunca te pede para pagares um serviço diretamente por SMS. A GLS nunca pede pagamentos por e-mail através de plataformas de pagamento online, cartão de crédito ou transferência bancária.
  • Quer que te despaches. Dá-te 12 horas para atualizar a morada ou 48 horas para pagar, ou ameaça devolver a encomenda. Os CTT põem as mensagens alarmantes que pedem ação imediata na lista de sinais de fraude, e a InPost desconfia de qualquer mensagem que ameace com a perda da encomenda.
  • O link não é da transportadora. Os CTT avisam que todos os links deles começam por www.ctt.pt. A InPost dá como exemplos de sites falsos inpost-es.com e inpost.entrega-paquete.com, e diz que o seu site é inpost.pt. A GLS considera suspeito qualquer domínio que não seja gls-group.com/PT.
  • O remetente não bate certo. A InPost diz que escreve sempre de endereços terminados em @inpost.pt, a DHL nunca usa @gmail, @yahoo nem outros serviços de e-mail gratuitos, e a GLS diz que os números que mandam SMS ou WhatsApp falsos em nome dela são muitas vezes estrangeiros.
  • Está mal escrita. Os CTT apontam erros gramaticais e ortográficos, logótipos de tamanho estranho e pontos de exclamação a mais. A InPost junta textos que parecem traduzidos por uma máquina.
  • Pede-te para descarregar uma app, abrir um anexo ou ligar para um número. A InPost nunca te pede para ligares para números de valor acrescentado nem para descarregares ficheiros do Dropbox ou do WeTransfer.

Mas um remetente conhecido não prova nada. A DPD explica que, com spoofing, aparece no telemóvel o nome de uma empresa verdadeira e a mensagem falsa pode cair na mesma conversa que as mensagens reais dessa empresa. A GLS diz o mesmo: há casos em que os burlões usam o número de telefone dela.

Os links das burlas começam muitas vezes pelo nome da transportadora. O dono do endereço é o que está mesmo antes da primeira / simples. O exemplo inventado usa os correios britânicos, Royal Mail, mas com ctt.pt o truque é igual:

  1. royalmail.co.uk.O nome da transportadora, posto à frente como isco. Aqui é só uma etiqueta
  2. redelivery-fee.exampleO verdadeiro dono do endereço: não é a Royal Mail
  3. /payA página que te pede o cartão

Por isso, um endereço como www.ctt.pt.taxa-entrega.example também «começa por www.ctt.pt» e não é dos CTT. Mesmo que um link pareça certo, não o uses: escreve tu o endereço da transportadora.

Os CTT, a DPD, a GLS e a InPost mandam SMS?

Mandam, e é por isso que as burlas resultam. O que cada transportadora diz sobre as mensagens dela, e o que diz que nunca faz:

TransportadoraO que diz das mensagens delaO que diz que nunca faz
CTTTodos os links dos CTT começam por www.ctt.pt. Os avisos de desalfandegamento chegam por SMS ou e-mail com «CTT» no remetente e levam sempre ao site dos CTTMandar dados para pagar o desalfandegamento por SMS ou e-mail, a não ser que tenhas escolhido Multibanco ou Payshop no Portal de Desalfandegamento
DPD PortugalMesmo com «DPD» no remetente, desconfia: com spoofing, uma mensagem falsa entra na conversa verdadeiraPedir por SMS ou e-mail portes ou um valor para alterar a encomenda. Só os envios à cobrança têm valor a pagar, e esse paga-se ao condutor no ato da entrega
GLS PortugalE-mails de @gls-portugal.com ou @gls-portugal.pt; e-mails e SMS só com links para gls-group.com/PTPedir pagamentos por plataformas online, cartão ou transferência; pedir dados de pagamento por e-mail ou SMS para criar conta
InPostE-mails de @inpost.pt, site inpost.ptPedir pagamentos por SMS, taxas ou alfândega por um link, transferências para libertar uma encomenda, palavras-passe ou dados do cartão
DHLE-mails de @dhl.com, @dpdhl.com ou @dhl com o domínio do país, com links só para os sites delaPedir por e-mail ou SMS outros pagamentos além de direitos e taxas aduaneiras

Um link, sozinho, não prova nada, porque as transportadoras verdadeiras também os mandam. E há pedidos de pagamento verdadeiros, quase todos de encargos de importação: a DHL diz que os únicos pagamentos que pede por e-mail ou SMS são os de direitos e taxas aduaneiras, e, quando escolhes Multibanco para pagar o desalfandegamento, a entidade dos CTT é sempre a 12368. O guia encomenda retida na alfândega mostra como são esses pedidos verdadeiros. Confirma sempre no site da transportadora.

Burla CTT, DPD ou GLS: o que dizem as mensagens falsas

Os textos repetem-se. Estes vêm das páginas de alerta das próprias transportadoras:

  • Entrega falhada, é preciso reagendar. Um SMS falso sobre uma entrega não efetuada que pede reagendamento (alerta dos CTT de julho de 2026), ou um SMS a pedir uma «taxa de entrega» (outubro de 2024).
  • Problema com a morada. Entrega suspensa «por falta de número de porta» (CTT, julho de 2026), endereço «pouco claro» a corrigir em 12 horas (CTT, 2025). A InPost dá o exemplo «Confirma o teu endereço para receberes o envio».
  • Encomenda parada ou devolvida. «Os CTT tentaram contactar três vezes» e a encomenda volta para trás se não abrires o link (CTT, fevereiro de 2025). A DHL avisou em 2025 de e-mails que dizem que a encomenda foi devolvida a uma agência e pedem 2,86 € para a recuperar em 48 horas.
  • Taxas alfandegárias. Há alertas dos CTT sobre SMS falsos em nome da CTT Expresso a pedir taxas alfandegárias. O guia da alfândega mostra como reconhecer um pedido verdadeiro.
  • Entrega com PIN. SMS falsos sobre entregas «com apresentação de PIN» (CTT, fevereiro de 2026).
  • WhatsApp em vez de SMS. Os CTT avisam de mensagens de WhatsApp com a imagem CTT (março de 2026), e a GLS pede capturas de ecrã das mensagens falsas que te chegam por SMS ou WhatsApp.
  • Código QR num e-mail. Um e-mail dos «CTT» diz que a encomenda está à espera e pede que leias um código QR, que leva a um site parecido com o dos CTT (outubro de 2024).
  • Uma app para seguir a encomenda. Em 2021, a DHL descreveu um SMS que levava a descarregar uma aplicação que pedia permissão para ler e enviar SMS.
  • Um telefonema. A InPost avisa de pessoas que se fazem passar por agentes dela e pedem dados bancários ao telefone: o apoio ao cliente nunca te pede dados bancários nem a palavra-passe.
  • Uma venda em segunda mão. A GLS diz que as burlas com o nome dela aparecem sobretudo em sites de venda de artigos em segunda mão, e a DPD lembra que não vende artigos: uma venda em nome dela é burla.

Nenhum destes passos usa a mensagem:

  1. Pergunta-te se estás à espera de alguma coisaNão compraste nada e ninguém te vai mandar nada? Então trata a mensagem como burla.
  2. Procura o número de seguimento verdadeiroNo e-mail de envio ou na página da encomenda da loja, nunca o que vem no SMS.
  3. Abre tu a transportadoraEscreve ctt.pt, inpost.pt ou o site dela, ou abre a app. Não toques em links, não leias códigos QR e não ligues para números que venham na mensagem.
  4. Procura um pedido verdadeiroUma taxa que seja mesmo devida aparece no seguimento ou na conta da transportadora.
  5. Reporta e apagaOs CTT pedem que avises as autoridades competentes (vê mais abaixo onde).

Os CTT pedem que escrevas «ctt.pt» em vez de usares uma ligação vinda de outro lado, e a InPost que sigas o envio só na página oficial dela. Não encontras o código? Vê onde encontrar o número de seguimento. Depois, podes colá-lo no Peek, que pergunta à transportadora e, quando é preciso, a outras fontes, e vês as últimas atualizações sem passar pelo link.

Como funciona uma entrega falhada verdadeira, com o aviso e o reagendamento, está explicado em encomenda não entregue.

Depende do que fizeste na página:

  1. Fecha a páginaNão escrevas mais nada. Não respondas à mensagem.
  2. Liga ao bancoPara o número do cartão ou da app do banco, e pede para bloquear o cartão.
  3. Muda as palavras-passeEm todas as contas onde usas a palavra-passe que lá escreveste.
  4. Desconfia de quem te ligarAlguém liga a seguir, mesmo a dizer que é do banco? Desliga e liga tu para um número que foste procurar.
  5. Apresenta queixaÀ PSP ou à GNR, se perdeste dinheiro ou dados.

Só abriste o link? A InPost aconselha a fechar o navegador e a fazer uma análise de segurança ao telemóvel ou ao computador. Depois, reporta a mensagem na mesma.

Escreveste os dados do cartão ou pagaste a taxa? O Banco de Portugal diz para avisares imediatamente o banco que emitiu o cartão. Nos pagamentos não autorizados feitos antes de avisares, a tua perda fica limitada a 50 euros, mas com negligência grave podes perder mais; depois de avisares, deixas de responder por usos não autorizados, salvo fraude tua. Podes pedir a correção de um pagamento não autorizado até 13 meses depois do débito. O reembolso não é garantido: liga já, não esperes para ver.

A GLS avisa que não responde por pagamentos feitos a quem se faça passar por ela, e o mesmo diz a DHL. Fica atento ao extrato do cartão nas semanas seguintes.

Onde reportar uma burla CTT ou outra mensagem falsa

Reporta a mensagem mesmo que não tenhas carregado em nada e, depois, apaga-a.

SituaçãoOnde reportarNotas
Mensagem em nome dos CTT ou da CTT ExpressoOs CTT pedem que avises as autoridades competentes (vê as linhas de baixo); confirma a mensagem na página Alertas de Phishing dos CTTNão descarregues anexos nem abras links
Em nome da DHL[email protected]; um e-mail suspeito vai como anexo, para irem os cabeçalhos completosA DHL investiga, mas não responde a casos pessoais
Em nome da GLSO botão «Reportar um caso» da página Conselhos de Segurança da GLS; num SMS ou WhatsApp, junta capturas de ecrã, o nome do contacto e o número de telefoneNum e-mail falso, envia o original em anexo
Em nome da InPostReencaminha a mensagem para a equipa de segurança, no endereço que a página de fraude da InPost indica ([email protected])O contacto da mesma página é [email protected] ou o 211 245 624
Um incidente de segurança informáticaO Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) aceita notificações voluntárias de qualquer cidadão na página pública da plataforma MyCiber; o CERT.PT recebe e-mails em [email protected]Para apresentar queixa, vê a linha de baixo
Perdeste dinheiro ou dadosO banco, logo; depois queixa por «Burla» à PSP ou à GNR, online no portal Queixa Eletrónica ou no posto ou esquadra mais próximoA Queixa Eletrónica não é para emergências: aí, liga 112

No iPhone, uma mensagem de um remetente desconhecido mostra Denunciar spam por baixo; toca nela e depois em Apagar e denunciar. Já não dá depois de responderes e, se a opção não aparecer num SMS, fala com a tua operadora. No Google Mensagens, no Android, abre a conversa, toca em Mais opções, depois em Detalhes, e usa Bloquear e denunciar spam.

Fontes